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Narrativas Suspensas

Projeto fotográfico e cinematográfico que quebra as barreiras entre a ficção e a realidade

02
Mai17

Gregory Crewdson, um artista de referência

Gregory Crewdson (1962- ) é um fotógrafo americano, conhecido pela sua incrível noção de composição e trabalho de luz que resultam em imagens cinemáticas muitas vezes comparadas à pintura renascentista. Num artigo de Chris Morgan, este descreve o fotógrafo como sendo o artista que cria histórias num só frame. A denominação de frame ao invés do termo fotografia, remete para o tipo de produção cinematográfica envolvida nas imagens do artista.

 

O seu percurso mostra-se bastante coerente, mas é a partir da série Twilight (1998- 2001) que percebemos claramente qual o imaginário e as temáticas abordadas. O seu trabalho é fortemente influenciado pela atividade profissional do seu pai – psicanalista que trabalhava na cave da casa de família.

 

Em entrevista com Hillary Weston, Crewdson afirma que o seu processo de trabalho é semelhante ao do pai, “era isto que ele fazia na prática (...), contava-nos histórias privadas, mas sempre fora do seu contexto mais geral.”

Como em quase todas as imagens, o que importa não é nem o título, nem a história, mas sim o que conseguimos interpretar dela. Gregory Crewdson, é um fotógrafo com um processo de produção imagético distinto do que se tem vindo a fazer na área da fotografia, aproximando-se ao tipo de produção cinematográfica.

 Gregory Crewdson, Untitled (2000)

01
Mai17

Jeff Wall, um artista de referência

Na história da fotografia curzaram-se multiplas vezes as barreiras entre o real e a ficção, começando a dar-se destaque a termos como construção e encenação, onde a manipulação conceptual do artista é claramente evidente. É nesta perspetiva que pretendo destacar o trabalho de Jeff Wall, no que toca ao intervencionismo na construção da imagem.

Jeff Wall (1949- ) é reconhecido pela sua obra fotográfica, entre a prática documental (ou near documentary, como ele define) e a elaboração deliberada de imagens, misturando técnicas cinematográficas com a estética da foto-reportagem, onde envolve também o uso de ferramentas digitais na fase de pós-produção. Wall produz diferentes tipos de imagens: imagens artificiais – sem qualquer pretensão realística; straight photography – como paisagens fidedignas; cinematographic pictures – que se definem como um intermédio das anteriores, completamente encenadas, mas em que se pode acreditar só pela sua leitura. (WALL, in Contacts, 2005)

 Wall, em entrevista ao SFMOMA, refere que o seu processo “começa por não fotografar” quando vê algo que lhe interessa. Mantem a informação vista, numa espécie de still imaginário, e tudo funciona mais tarde a partir da memória e do que pretende representar dela. No entanto, a fotografia originada deve ser “plausível, mas não exata”, contando uma história e brincando com limites sempre impostos entre o real e a ficção. As imagens criam assim outra realidade: a que estava presente na imaginação de Wall e que ganhou forma ao se materializar no formato de fotografia.

Jeff Wall, Mimic (1982)

Jeff Wall, Mimic (1982)